Viva O Ano Novo

            Viva o Ano Novo  

 

Ano novo vem, ano velho vai.

E isto nos acontece todos os anos, felizes por ainda
estarmos vivos, podendo gozar desta oportunidade única que nos permite o
criador. Ano novo vem, ano velho vai,
vai indo com tristeza para uns, com indiferença para
outros.

A mim particularmente o ano velho não deixa
saudades, mas me deixa novas e boas amizades.

Um aprendizado diferenciado sobre as coisas do

coração;

Sim porque a boa amizade só pode ser coisa do
coração.

Pois é assim que se desvela e expõe, se mostra de
forma quase despudorada como a amante contumaz ao seu amor, amizade.

Neste ano velho, novas amizades a mim se dispuseram
e algumas com muita intensidade, de forma que de fato me sinto tocado por esta
despedida do velho ano como se

de fato tivesse sido para mim um ano só de amor.

Afinal foi neste ano de 2008 que conheci algumas
pessoas muito especiais e outras que se nem tanto, comigo estiveram e muitas
ainda estão, me dando um pouco do aconchego que nos faz sentir o quanto são
frágeis nossas qualidades humanas.

O ano velho vai indo embora me trazendo um ano novo
em que tenho quase que como certo que muitas destas pessoas especiais comigo
permanecerão, de alguma forma em contato, me favorecendo com seu mundo forte ou
fraco e suas coisas boas e às vezes se acalentando em minha frágil
disponibilidade.

Assim vou levando no tempo novo que a mim se achega
em realce de passagem e ponte para o amanhã, o que hoje aqui para mim se espraia
na vizinhança de minha imaginação.

Mas tenho sorte, minha vizinha é uma pessoa boa e já
me enviou algumas de suas grandes mangas maduras prestes a cair no chão. Gente
boa é assim mesmo, por serem no geral amigas, são também observadoras
indiscretas assim aceitas, mas pervicazes de nossas manhas e fraquezas, de nosso
entardecer na compreensão alheia. Este ano aqui em casa, abacateiro deu duas
vezes e tem agora dado uns pequenos, mas gratos e bem sadios frutos, mas as
mangas não deram muito e algumas ficaram bichadas. Vai a mangueira requerer um
trato especial de ano novo. Mas existe alguma probabilidade que eu não esteja
aqui para ajudar alguém da família nestes cuidados; mas isto é outra história
dos projetos que tenho para quando o ano virar, e eu possa estar neste novo
tempo já com uma disposição nova e com as melhores perspectivas e boas novas.

Quero crer que assim estarão os amigos e amigas

neste ano novo também. Penso e lhes estimo tão boa perspectiva quanto estas que
para mim têm, graças às boas amizades, possibilidades reais de se realizarem e
estão se tornado algo mais palpável, quase que dizível. Algo sobre o qual eu
lhes possa falar e dizer: O sonho é quase uma realidade já amiga{o}, “buds” .
Hein buds, tudo nos conforme?

Em breve estarei realizando de fato um de meus
projetos de vida, apesar de toda a ingratidão do velho ano que está findando. O
que se há de fazer?

Afinal existem velhos assim.

Não podemos julgá-los, os velhos que passam por nós.

Mas gosto de saudá-los por sua simples velhice e me

encanta pensar que me esforço por acreditar que serei um velho melhor que muitos
dos que por mim passaram como um dia passarei também. Mas quero deixar na
memória de muitos, mais que minha preguiça contumaz, mais que minha esperança
carrancuda, talvez até quem sabe, algumas canções de ninar.

Eu acho que é isto que faz do ano novo um ano de
fato novo, a nossa maneira de recriar a esperança, mais que a ilusão que a
modernidade resolveu felizmente, rejeitar. A nossa capacidade de manter a chama
acesa das boas amizades, do amor e do perdão. Desta ciência em que temo por
aprender e apreender dela um pouco mais, com a temeridade de quem sabe que
quanto maior a altura, maior o tombo.

Um pouco de mineirice não faz mal a ninguém e quero
deste ano velho carregar em meus planos, projetos que se abrem em boas
perspectivas de concreta realização, as boas coisas deste velho ano que passou,
e entre elas, além da chama viva das boas amizades, um pouco de mineirice, da
mineiridade da manga, e do recato que só estas montanhas sabem bem como nos
ajudar a guardar; no resguardo das águas novas que só estas montanhas sabem
criar e recriar, por esta nossa inesgotável sede de uma vida nova mais cheia de
amor, paz e sabedoria.

O mineiro tem por missão assim cuidar da primeira
infância destas águas novas para que deságüem bem e bem cuidadas; as águas que
vão para aqueles outros de nós que lá embaixo vivem da boa nova das águas que se
renovam ano vem, ano vai. Assim lhes estimo um ano novo, igual ou melhor que o
meu: Cheio de boas perspectivas, grato pelas montanhas cujas águas novas
nasceram em pureza e vitalidade, na confiança pelo futuro trato que de nós vão
receber, um trato de amor como deve ser e merecem como divinas dádivas de vida
que são parte, essenciais e assim em extensão representam do divino amor do pai,
a sua consideração, compreensão, solidariedade aos nossos projetos, devaneios,
desejos desvairados e muitas vezes arrogantes e insanos, nossos delírios e
alienações e tudo o mais que dele recorreremos com maior ou menor sanidade e
paz. Estaremos assim unidos pelas águas novas que vão de encontro ao seu destino
e com elas de alguma forma também vamos nós, cheios de confiança nestas nossas
novas e boas amizades, neste companheirismo e nesta compreensão sábia do que
somos nós.

Amigos e amigas lhes desejo de coração um feliz ano
novo, com muita paz, confiança e solidariedade, e na melhor das companhias.

Com Deus nos tenhamos em sábia compreensão,
saboreando das boas coisas da vida, da deliciosa manga que a vizinha nos
presenteou certos de que o que passou, passou e não há nada que possamos fazer
para mudar isto, mas o que vem por aí, ainda podemos fazer muito para que seja
para todos nós, o melhor possível. Na lembrança daquela amizade que foi tão
importante para nós, ainda que só por um dia, um dia muito especial, um dia que
nos trouxe tão boas recordações e que só foi um dia que passou.

Não, não lhe sejamos ingratos ainda que ingrato nos
tenha sido o velhinho que está indo embora, pois com ele aprendemos o valor real
que tem para nós, ainda que apenas um e singular, um muito especial como talvez
todos devam e possam ser, um dia. Assim termino este ano velho na gratidão ao
velhinho por um dia e a Deus em sua sabedoria por todos os dias.
Feliz ano novo para todos vocês.

 

~ por tatwa em Dezembro 28, 2008.

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